Voltar para Conteúdo Publicado em 28/10/2026

Documentário “Vozes do Quilombo” promove reflexão sobre equidade racial e educação quilombola

O lançamento do documentário “Vozes do Quilombo: Cultura, Fé e História no Amapá” ocorreu na última terça-feira (13), em um encontro virtual promovido pela Secretaria de Estado da Educação do Amapá (SEED-AP). Com 20 minutos de duração, o documentário parte das histórias, memórias e manifestações culturais do Quilombo Igarapé do Lago, no Amapá, para convidar educadores a refletirem sobre a presença da história e da cultura afro-brasileira no cotidiano escolar.

Gravada na própria comunidade, a produção articula história oral e história oficial, preservando memórias e conhecimentos locais e promovendo uma reflexão sobre a representação da população negra nos currículos e nas práticas pedagógicas. O lançamento reuniu profissionais da educação para discutir alfabetização com equidade, desigualdades raciais e a valorização da história e dos saberes das comunidades quilombolas no ambiente escolar.

Durante o encontro, o professor José Maria Dias, também pesquisador e autor do livro “Igarapé do Lago: História e Memória”, destacou a importância de superar estereótipos sobre a população negra e reconhecer seus conhecimentos e potencialidades. “O negro não foi feito só para dançar e bater tambor. Nós temos conhecimentos que precisam ser colocados em prática, serem vistos. Nós temos conhecimentos que precisam ser valorizados”, afirmou.

O educador também ressaltou que as comunidades quilombolas enfrentam desafios relacionados à regularização de terras, ao acesso à educação de qualidade e à ampliação de oportunidades. Para ele, o documentário contribui para dar visibilidade a essas questões através das vozes dos moradores de Igarapé do Lago. “Esse documentário é muito importante para a nossa comunidade, porque mostra a nossa voz, mostra as nossas crianças quilombolas, mostra que o nosso povo existe e ele está aí, e ele precisa de nós”, destacou.

A alfabetização com equidade também esteve entre os temas centrais da programação. A professora Neuma Santos, coordenadora Formativa da Recomposição do Programa Criança Alfabetizada, ressaltou que os resultados das avaliações educacionais devem ir além da identificação dos níveis de desempenho e servir de base para intervenções pedagógicas direcionadas às necessidades dos estudantes. Ela também chamou a atenção para a importância de considerar os contextos e as identidades dos alunos na construção dos currículos e das práticas pedagógicas.

Já o professor Arimilton Cláudio da Silva, gerente do Núcleo de Educação Étnico-Racial da Seduc Amapá, destacou a necessidade de enfrentar as desigualdades raciais desde os primeiros anos da educação básica. Segundo ele, fortalecer o letramento racial nas redes de ensino é fundamental para reduzir as diferenças de aprendizagem entre estudantes pretos e brancos. O professor também ressaltou a importância de ampliar iniciativas como este documentário, para que professores e gestores reconheçam as práticas de equidade desenvolvidas nas escolas e os estudantes fortaleçam sua identidade e seu pertencimento.

Encerrando a programação, a professora Mônica Silva, pós-doutoranda em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), ministrou a palestra “Toda criança pode aprender: alfabetização, inclusão e equidade na prática”. Com duas décadas de atuação na educação pública e experiência em alfabetização, formação de professores, diversidade e educação inclusiva, a pesquisadora contribuiu para ampliar as reflexões sobre a garantia do direito à aprendizagem para todas as crianças.

O encontro reforçou a importância de valorizar a cultura afro-brasileira nas práticas pedagógicas, reconhecer os saberes dos territórios quilombolas e promover uma educação pública cada vez mais equitativa e antirracista.

A produção audiovisual é uma produção da Secretaria de Educação do Estado do Amapá com o apoio da Associação Bem Comum, em parceria com o Instituto Natura e a Fundação Lemann e está disponível para assistir no Canal da Bem Comum no Youtube.

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